sábado, 14 de maio de 2011

Djedje Mahi: Trajetória do Kwe Sejà Hundê.





Ludovina Pessoa (Mahi, +/-1854 - ) natural da cidade Mahi, daomena, África. Era iniciada para o Vodun Agué, era auxiliada por sua filha-de-santo Maria Romana Moreira (Kposusi Romaninha) do vodun Kposu e Maria Valentina dos Anjos Costa (Mãe Hunyo ou Runhó) do Vodun Sogbo (1877-1975).
Foi escolhida pelos Voduns para fundar três templos na Bahia.
Ela fundou:
  • templo para Dan; Kwé Cejá Hundé, mais conhecido como a Roça do Ventura ou Pó Zehen (pó zerrêm) em Cachoeira de São Felix;
  • templo para Heviossô; Zoogodo Bogun Male Hundô Terreiro do Bogum em Salvador;
  • E o templo para Ajunsun que não se sabe porque não foi fundado. Esse é o segmento Jeje Mahi do povo Fon.
O templo de Ajunsun-Sakpata foi fundado mais tarde pela africana Gaiaku Satu, em Cachoeira e São Felix e recebeu o nome de Axé KPó Egi, mais conhecido por Terreiro Cacunda de Yayá, que tem como sua representante a iyalorixá Maria de Lourdes Buana (Ya Ominibu Kafae foobá), filha de Mae Tança de Nanã (Jaoci) que era filha de Gayaku Satu.


Roça do Ventura, Kwé Cejá Hundé - (Sen= Adorar, Já= Cobra de ferro, Hun= Vodum, De= Aqui neste lugar, traduzindo aqui neste lugar adoramos um vodum que é representado pela cobra de ferro). É uma roça grande de Candomblé Jeje, localizada em Cachoeira de São Félix (Roça de Baixo), próximo à Salvador na Bahia.


Fundada pelos escravos Manoel Ventura, Tixareme, Zé do Brechó e Gaiaku Ludovina Pessoa, também conhecida como Ogum Rainha que muitos acham que ela deveria ter sido uma rainha mesmo, Manuel Ventura, era só o dono das terras.
Tixareme foi o primeiro Pejigan da Roça e Ludovina sería a primeira Gaiaku. Essa roça foi aberta por Ludovina para a sua filha Maria Ogorenssi mais conhecia como Ahum sime sime que levou essa roça com muita força e independencia sendo assim denominada de Djejê Maxi Axé Seja Unde, onde ela iniciou alguns vodunsis, como o saudoso Tata Fomotinho (Antonio Pinto de Oliveira) ou Oxum Ojunto Deí, que foi para o Rio de Janeiro levando um pouco do que lá aprendeu.


Antonio Pinto de Oliveira, conhecido como Tata Fomotinho ou Tata Fomutinho (Salvador,? — Rio de Janeiro, 26 de junho de 1966).
Foi numa visita ao hunkpame do Kwé Cejá Hundé, em Cachoeira, que Antonio foi tomado por seu vodun, bolou no santo de forma definitiva.


A queda de Antonio representou um problema para a Mãe de Santo da casa, Gaiaku Maria Ogorense, Que por tradição nunca havia raspado (iniciado) um homem, postura que pretendia manter até o fim de sua vida. Mas ao consultar o Jogo de búzios, foi obrigada a render-se à vontade de Oxum que não abria mão de ser "feita" na cabeça de Antonio e, naquela casa. Assim, Antonio foi recolhido num barco composto de oito yaôs, sendo ele o único representante do sexo masculino.
Depois de iniciado, Antonio participava como Pai pequeno na casa de candomblé de Manuelzinho de Oxóssi, filho de Maria Neném. Como a casa era de Angola, Antonio passou a ser chamado pelos yaôs de "Tata" (pai) e assim ficou definitivamente conhecido como "Tata Fomotinho" (Oxundei).

Em 1930 Antonio chegou ao Rio de Janeiro no navio do Lloyd Brasileiro, acompanhado de seus amigos João Lessengue (Filho de santo de Manoel Bernardino da Paixão, fundador do asé Bate-Folha, e Maria Rufino Duarte mais conhecida como D. Mariquinha ou Mariazinha de Lembá)e Bananguami. Fundou o Kwe Ceja Nassó, no bairro de Santo Cristo, depois mudou-se para Madureira na Estrada do Portela, depois para São João de Meriti onde finalmente se estabeleceu na Rua Paraíba. A repressão ao candomblé era terrível mas Antonio, contava com a proteção de Paulo da Portela, fundador da tradicional Escola de Samba da Portela, o que de certa forma, mantinha a polícia distante da casa de candomblé.


No Rio de Janeiro, Antonio Pinto Oliveira (Táta Fomutinho), contou muito com a ajuda também de  Ontinha de Oiá (Oya Devodê),  iniciada com 7 anos de idade em 1891.


Ontinha de Oyà (Oyà Devodê), era filha da  africana Gaiaku Rosena, natural de Allada, que fundou no Rio de Janeiro em 1851 o Kwe Kpodaba - Terreiro do Kpodabá no bairro da Saúde, que foi herdado por sua filha Adelaide São Martinho do Espírito Santo (Oya Devodê), mais conhecida como Mejitó, que transferiu a casa de santo para o bairro Coelho da Rocha, e esse axé foi herdado por Glorinha Toqüeno, com terreiro no bairro de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. O Kpodabá é a casa matriz , mas deixou ramificações, como o Kwesinfá fundado em Agostinho Porto, por Natalina de Aziri (Ezintoede) tendo como herdeira Helena de Bessem que transferiu o axé para Parque Paulista, em Duque de Caxias, hoje Filha de Santo de Glorinha Tokuenu. Tendo ramificações do Axé em Brasilia, fundado pelo sacerdote Rui D'Osaguian filho de Natalina de Aziri. Em Manaus/Amazonas o kwensinfá teve sua ramificação através do Babalorixá Edmilson D´Oxossi, filho do sacerdote Rui D´Osaguian.


Em 1935 que Tata Fomotinho, depois de haver plantado os fundamentos da casa, confirmou o primeiro ogan de Oxum, um jovem fuzileiro naval, Agostinho, mais tarde passou a ser Pejigan Gebê. Em 16 de janeiro de 1936, auxiliado por seu ogan e por sua amiga Maria da Cruz, tirou o primeiro barco de iyaôs, do qual faziam parte Olegário e Marcionílio. Pouco depois o axé foi transferido para a Estrada do Areal.

No dia 8 de junho de 1961, na esquina da rua Silva Gomes, em Cascadura, Tata Fomotinho foi atropelado por um lotação que trafegava em alta velocidade, sendo socorrido em estado grave no Hospital Carlos Chagas. A recuperação foi lenta e dolorosa, meses depois, reassumiu suas funções na casa de candomblé. Sua saúde, ficou muito abalada e, no dia 19 de fevereiro de 1962, Tata Fomotinho foi acometido de derrame cerebral quando se encontrava em São Paulo. Socorrido no Hospital das Clínicas de São Paulo depois, foi transferido para a casa de seu filho-de-santo Jamil de Omolu e daí para a residência de seu filho-de-santo Marcionílio no Rio de Janeiro. Mas foi em Nilópolis, na casa de seu filho-de-santo Djalma de Lalu, que Tata Fomotinho veio a falecer, no dia 26 de junho de 1966, deixando uma legião de filhos, netos, bis netos e etc.

Filhos de Táta Fomutinho:
Vodunsis: Olegário Luiz Medeiros (Odé Ualê), Ekedji Vanda, Areny (Oya Lagan), Beijaflor, Marcionílio, Antonio Cabeludo, Djalma de Lalú, Jorge de Yemanjá, Leandro, Esmeralda, Jorge de Oxóssi, Corina, Orlando de Omolu, Natália, Zézinho da Boa Viagem (Naite Naitobossi), Lucinda, Nicéia, Lucy, José Velho, Idelfonso, Edith, Irene, Marina, Jacy, Jorge de Omolu, Durval de Logun, Joana de Ogun, Berenice, Ivan, Manú, Petronílio de Oxóssi, Avanir, Luíza, Lusinete, Arlete, Tiana, Gumercindo, Filomena, Jorge, Marcílio, Luiza de Oxun, Belinha, Hilbert, Walter, Ernani, Orlando, Edith, Ester, Babazinho, Aidê, Negazinha, Joana, Nina, Toninho, Otávio, Décio, Jamil, João d'Ogun, Ladislau, Valmir, Jussan, Jorge Macuco, Joventino, Maria dos Santos, Leninha, Matilde, Fernando de Oxaguian e Cavalcante de Oxalá.
Ogans: Agostinho, Bento, Beto, Eduardo, Luiz, Walter, José, Damasceno, Wilson, Gabriel, Rubens e Miúdo.

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